29 de maio de 2017

Fragilizado


Regressei de fronte
Humilhei-me
Deixei de apoderar mazelas
Interpretadas pelo ego

A consciência é uma tênue
Hora alimentada
Hora rala

Deixei o corpo a deriva
À todos esses fins de tarde
Nada além disso
Que fique evaporando
Toda a podridão dessa matéria
Queime! Quente é o medo!

- Silvano Neves

21 de maio de 2017

Renascimento

Quem sou eu de refutar e exacerbar as aparências
Isso consistirá apenas ao óbvio
Dessarte, ainda, faço crenças que mentem à essência

Hoje já não quero atarantar-me
Nem ao menos pronunciar-me na primeira pessoa
Quero deixar o vacúolo armazenado do que sou
Quero ser a cobra comendo o próprio rabo
Mesmo temendo que algumas coisas são apenas inevitáveis.

- Silvano Neves

17 de maio de 2017

A Porta

Algo acontece dentro de mim
Não sei o que é, me faz suar frio
como um fogo com chamas frias
Por que isso acontece?
Estou sozinho
As chamas lambem meus órgãos
Dói como uma lembrança
como os sonhos esquecidos
Alguém bate na porta
quero correr para abri-la
mas não levanto
quem bateu já se foi
como eu poderia abrir a porta
sem terminar esse poema?

- Gabriel Marins

13 de maio de 2017

Sociedade

Ando na madrugada
Cumprimentando pessoas que não estão lá
Pessoas que não existem
Sigo minha sombra no escuro
E me aproximo de uma multidão,
Fumo os dedos que me apontam na cara;
Um rapaz grita e todos olham para ele
Eu sou mal-educado
Prefiro olhar para os que estão olhando.

- Renato Franco

7 de maio de 2017

Palavra

Desgranhenta é tu, palavra.
Generaliza tudo que é sentimento meu
Algemar-me assim tão fácil
E todo horizonte, que costumava ser aquilo que queria fazer parte, está focado a ti.

Ainda sim, irei reconhecer-me
E atacar às tuas paranoias
Gritar, por mais que esteja numa meditação
E ai de mim esquecer disso

Pois já disse o poeta
"Ninguém sabe mais do meu amor que eu"
E ai de mim esquecer disso.

- Silvano Neves

6 de maio de 2017

Pessoas Práticas

Gosto das pessoas práticas, pois essas não cobram malabarismos de nós. Não exigem que tenhamos que mudar para agradar. Não nos fazem perder tempo com futilidades de quem pensa ser imortal. O tempo é curtíssimo. Se não tomamos banho duas vezes no mesmo rio, que o nosso primeiro, e único banho, seja intenso em sua finitude. Evito a fadiga de conquistar para conhecer e descobrir que nem tudo que reluz é ouro. Tu és ouro? Que seja desde o inicio e que brilhe sem ser escondido em um baú com sete, vezes sete, chaves. É isso que procuro no meu melhor amigo, no meu inimigo, na mulher amada.

- Gabriel Marins